C’est ça!

morgado, de morgar

December 3rd, 2007 by Paulo Lima

São cinco dias morgado. Isso, morgado. Morgado é bom sobrenome de alguém que seja personagem de romance policial, Detetive Morgado, Delegado Morgado. Devo ter lido algum que tenha um personagem com esse nome, ou começado um conto que eu sempre acho que vai ser um livro e que eu nunca mais mexi. Cinco dias morgado. Nariz pingando, corpo doendo, sua, sente frio, toma remédio, dorme, olha qualquer coisa na tv, não lê, dói a cabeça.

Saí, encontrei o Ernani e perguntei qual a barbada de hoje, não deu outra. Ernani é vizinho, boa praça. Mas hoje em dia ninguém mais sabe nada de cavalos de corrida (Ernani concorda e suspira, saudoso. Falo duas ou três frases que são a completude de meu conhecimento sobre os cavalinhos. Disse que iria ao Jockey e que nunca falseio meus compromissos. Ganhei um sorriso de aprovação).

Eu preciso ver o meu filho e, na volta, ir ao Jockey. Vou distrair a cabeça nos cavalinhos. O ano foi mesmo uma merda. Logo acaba a diversão na TV Senado. Tô morgado até no assunto. Coisa mais reciclada…

Mas para não dizer que não valeu a pena ler isso tome duas dicas:

Um blog de fotografia: Leonardo Ramadinha. E o novo romance policial do Garcia-Roza, Na Multidão.

Escrevo tudo isso para dizer que este bologue é também cultura e morgado quer significar:

morgado1
[Do lat. vulg. *maioricatu < *maio-oricare < maiore, ‘mais velho’.]
Substantivo masculino.
1.Filho primogênito ou herdeiro de possuidor de bens vinculados.
2.Filho mais velho, ou filho único.
3.Propriedade vinculada ou conjunto de bens vinculados que não se podiam alienar ou dividir, e que em geral, por morte do possuidor, passava para o filho mais velho.
4.O possuidor desses bens.
5.Fig. Coisa muito rendosa. ~ V. morgados.

e também:

morgado2
[Part. de morgar.]
Adjetivo. Bras. Gír.
1.Adormecido.
2.Cansado, sonolento; indisposto.

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August 25th, 2007 by Paulo Lima

otto

Eu ia escrever sobre o bate-estaca que inaugurou meu sábado. bate-estaca de verdade, que recuperou em mim meus desejos mais primitivos, parafraseando Roberto Jeferson.

desgraça

Mas o bate-estaca desgraçado me fez ir à feira, razão da foto anterior. Eu queria mesmo era escrever sobre o artigo da Naomi Klein no The Nation, mas enquanto não dormir direito reservo-me ao mal humor particular, prática que sugiro à todos os mal humorados ocasionais. Enfim, lê lá o artigo da Naomi Klein que não precisa que eu diga qualquer coisa sobre ele.

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Vizinhança

July 8th, 2007 by Paulo Lima

Acima de tudo sou um estudioso. Estudo as coisas que me interessam a fundo, enquanto me interessam. Durante 4 anos acompanhei a vida da Mansão da Rua São Clemente com Guilhermina Guinle e Dona Mariana:  O Palacette Linneu de Paula Machado.  Magnífica residência senhorial, em estilo renascentista francês, construída em 1910 para a família de Linneu de Paula Machado pelo arquiteto Armando da Silva Telles, o mesmo projetista do Palácio Laranjeiras. Destaca-se pela implantação, ao centro de um amplo terreno gramado e fartamente arborizado, o qual ia originalmente até a Rua Voluntários da Pátria.  É notável a elegante porte-cochère aterraçada, o telhado em mansarda e torreão central em ardósia. Uma ala de serviço, do lado direito da casa, foi acrescentada posteriormente, mas obedecendo ao estilo original e ainda em vida de seu primeiro proprietário. O Palacete Linneu de Paula Machado é tombado pela Municipalidade.

Tinha uma vista privilegiada sobre o Palacete de oito quartos, três grandes salões, biblioteca e salá de chá. Não posso, claro, descrever o que vi. Sou um pesquisador discreto e de pequenas perversões, não quero fazer dinheiro com minha capacidade de observar e, sobretudo, de escutar.  Mas o melhor estava fora. Um jardim muito agradável, com horta, algumas estátuas sem grande valor e uma piscina medíocre, para as dimensões da residência. Era uma casa dos Paula Machado e Guinle. Quando o Hugo era pequeno eu, que morava alí na Francisco de Moura, embaixo do Morrão querido Dona Marta, ia de carrinho e passava várias manhãs de sábado lendo o jornal. Na época se lia o Jornal do Brasil e depois a Folha de São Paulo (para saber o que se passava no Brasil, no JB a gente sabia o que passava no mundo… tempo bom de um Rio de Janeiro cosmopolita). As vezes ia no Adriano, tomava uma batida de maracujá e almoçava. Não tinha baile funk. Hoje, eu sou vizinho do Paula Machado. Ele quer vender a mansão. Ontem teve baile funk ou coisa parecida até as 8 da manhã. Eu, insone, levantava, prestava atenção e o som tava lá, bombando.

Aquele telhado de ardósia sempre me chamou a atenção. A generosidade da família de abrir as portas para quem quisesse usar o jardim também. Morava lá o Seu Eduardo, pelo que me lembro. Morreu tem uns anos. Agora está a venda.  Então, se você quiser ser meu vizinho e reabrir os jardins do Palacete é só colocar cinquenta milhões de reais. Eu dou fé! Se eu tivesse, não pensava duas vezes.  Aquilo lá ia ser uma diversão!

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êma, êma, êma…

June 12th, 2007 by Paulo Lima

A gente vê cada coisa.  Eu não tenho vontade de escrever nada.  Me lembro de ter ouvido um dia uma sentença chave na minha vida e na vida das pessoas: “êma, êma, êma, cada um com seu problema.” Vou passando pelas minhas provas.  Ontem sonhei que acordei e minha camisa da escola estava lavando, sem uniforme não entra na Escola Pública.  É pior que o sonho do bedel.  É o sonho “sua mãe ou sua vó ou sua irmã mais velha esqueceram de que você vai à escola hoje”.  Tá cada dia pior.

Como você pode estar também assim, sem assunto, tem o Citador, alguém que perdeu tempo achando que citar os outros é importante… êma, êma, êma….

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soldado da ciência

May 21st, 2007 by Paulo Lima

Nesses dias nublados do Rio eu tenho reencontrado ele.  Estava em Santa Teresa, sábado. Me olhava estranhando que eu falava outro idioma. Acreditou que escondia alguma coisa dele, ou acreditava que já não conseguia trabalhar mais e que o tempo havia passado rápido demais.  Me cumprimentou, sem resposta.

Tenho tido os sonhos recorrentes. São os mesmos desde os 19 anos.  Eu estudei no Pedro II, sou um brasileiro de enorme e subido valor, o livro é meu escudo… e minhha avó era profissional na imputação da culpa cristã-judaica ocidental.  O Colégio era de graça e me dava comida e até aula no sábado. Eu só fazia isso.  Não podia repetir de ano.  Eu, exagerado, me aborrecia com notas abaixo de 8.0. Daí que quando eu sonho, quando durmo (a cada 15 dias), eu sonho com a informação de que preciso fazer o segundo grau de novo. Não importa se já fiz o que tinha que fazer na universidade, graduação, mestrado, pesquisa… Era ele, o Bedel Chefe do Pedro II que vem me dar a notícia.  A coisa de começar tudo de novo acaba me acordando.  A impressão pós-sonho, em hora indefinida, é, será que não era bom começar tudo de novo?

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Solidariedade, digital

March 16th, 2007 by Paulo Lima

A inclusão digital é uma estratégia reconhecida para a inclusão social. Muito se escreveu e se escreve sobre. No Observatório de Políticas Públicas de Inclusão Digital você pode manter-se atualizado e ter acesso a um repositório histórico de informações impressionante. Semana que vem se reúne, em Genebra, o Conselho do Fundo de Solidariedade Digital. A maior parte das ações do FSD estão na áfrica e sudeste asiático. Por aqui quase nada. Vamos ver o está acontecendo por aí. Até depois.

FSD

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chove!

March 14th, 2007 by Paulo Lima

O Rio de Janeiro tá seco demais.  Parece até Brasília.  Me sinto um maracujá.

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