Posted by Paulo Lima on 24th June 2007

Domingo lindo de inverno no Rio de Janeiro. Calor! Utz e Marial = turismo. Noite agradável e que passou rápido demais na casa de Saliel, o bandolo mestre. Culinária chilena e Ná Ozzetti. E, claro, aquela memória e humor que faz com que ninguém veja que já hora de ir embora, exceto quando se nota que o Utz tá cochilando no sofá… hora de rebocar o alemão.
Museu de Arte Contemporânea (Niterói) + Linguado ao Albamar (ele está aberto e igual ao momento em que foi inaugurado, 1933. Um dos simpáticos garçons usa uma camisa de Piquet e se chama Paulo, 37 anos de Albamar). Depois Centro Cultural Banco do Brasil e depois a descoberta e a aula de Marial sobre Chema Madoz, seu conterrâneo. Fica até 15 de julho, não se pode perder.
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Posted by Paulo Lima on 16th June 2007

O Saliel não fala mais de cachaça. Suspeito… Eu não tenho mais cognaq. O tempo virou. Dia bom para ouvir rádio em frequência de navegação (meu atual tema preferido). Tempo de procurar leitura. Volto ao Montalbán. Agora, o presente da Marial, o Galíndez — entre um papo e outro com a pouco implicante Joice. Voltei a fumar. Pelo menos até acabar essas várias Jewels que comprei, pra passar a semana. A semana passou. Alguma coisa há de melhorar.
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Posted by Paulo Lima on 6th June 2007
“Se o fim desta escritura fora só a satisfação da curiosidade humana, e o gosto ou lisonja daquele apetite com que a impaciência do nosso desejo se adianta em querer saber as cousas futuras; e se as esperanças que temos prometido foram só flores sem outro fruto mais que o alvoroço e alegria com que as felicidades grandes e próprias se costumam esperar, certamente eu suspendera logo a pena e a lançara da mão, tendo este meu trabalho por inútil, impertinente e ocioso, e por indigno não só de o comunicar ao Mundo, mas de gastar nele o tempo e o cuidado.”
Padre Antônio Vieira, História do Futuro (Volume I, Capítulo IV: Utilidades da História do Futuro)
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Posted by Paulo Lima on 2nd June 2007
Gosto do pronome indefinido ‘pouco’. Tenho poucas ambições. Poucas são as minhas distrações. Como são poucas dedico tempo a elas e à busca de novas distrações. Se pudesse passava o dia distraído com alguma coisa. Passo os dias distraído com pequenas coisas do dia, o resto do tempo, me distraio mais seriamente. Aprendi isso (da importância de distrair a cabeça) com um anão que me deu uma rasteira. Um anão mal. Ele era vizinho. Era dia de São Cosme e São Damião. Ele era, na época, do meu tamanho. Corrida pelo doce. Até hoje não entendo como ele me derrubou com aquela perna diminuta. Me derrubou de mal que era. Eu peguei os doces depois, com o joelho esfolado. Até hoje ando atento com os anões. Depois, mais velho, tive vontade de derrubá-lo (não que seja vingativo, tanto que não o derrubei, não que me lembre…). Nos encontramos. Ele viu meu olhar de ódio histórico. Negociou com o olhar e disse: “Opa, como é que tá? Vou lá na loja do jockey, vou distrair a cabeça.”
O perdão:
Fui com ele pra loja do jockey. Na minha família esse é um tabú. Meu avô era bookmaker. Reconheça, você não sabia o que era bookmaker. Minha avó era uma aristocrata que, ao casar, viu a decadência em desabalada carreira. Queria que eu fosse diplomata. Aprendi com o anão, que só vi depois nas páginas policiais, segredos do turfe que nunca usei.
Por quê se conta uma longa história como essa? Porque eu tenho uma distração (entre outras poucas), que é o Hattrick. Daí que jogamos, eu, o Escriba, o Cerveja Só (com time tecnicamente morto), o Paulinho Araújo e o João Gabriel de Lima. Ele é o autor do Burlador de Sevilha, boa leitura que distrai a cabeça com a narrativa que vai passando pequenas descobertas e prazeres, no ritmo certo das poucas páginas. O João Gabriel é dono de um perigoso time no hattrick…
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Posted by Paulo Lima on 28th May 2007

Encontrei na Joice (que não é nada implicante) e é o que eu andava pensando, sem saber escrever:
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
leminski
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Posted by Paulo Lima on 11th May 2007
O Sergio Amadeu arregimentou uma turma para pensar e discutir o tema da diversidade cultural e cultura digital. O Blog Diversidade Digital reúne umas opiniões bastante diferentes e interessantes sobre o que tá passando pelos nossos olhos, dedos, ouvidos, mentes… Vai lá, opine, comente.
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Posted by Paulo Lima on 8th May 2007
O Escriba marcou mais um tento. Tá lá, você pode baixar o livro censurado pelo Rei. Acho que é para deixar o Papa alerta. Grande Jorge Cordeiro.
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Posted by Paulo Lima on 28th April 2007
Merica e Manguito.
Tenho novos compromissos nos sábados em que me obrigo ócio. Almoço com Tom Sharpe e meu óculos de coroa no Adriano (não tem na internet, restaurante português popular na Real Grandeza). Os compromissos são feitos para serem descumpridos. Eu tinha um bom de fazer a barba e ir à feira quando o Hugo era pequeno e nós morávamos no Grajaú. Hugo no carrinho cheio de frutas e legumes. Já tinha passado a fase oral dele.
O garçom, do Adriano, estudou na mesma escola pública que eu. Conta dos professores que passam lá para almoçar de vez em quando. Muito ruído, mais um teste para minha concentração. Não tenho déficit de atenção — definitivamente! — presto atenção no que quero. Língua! Purê de batata. Vinho português barato, quase Lisboa. Parece comida de Dona Rosita, minha avó, aristocrata decadente que dava sabor de nobreza até em dobradinha.
Vizinhança. Tom Sharpe não fala, é lido. O garçom está ocupado, Adriano lotado. Encosta do Bussaco. Muito diferente a colonização, mesmo que fragmentada, dos holandeses da dos portugueses. Talvez por isso os/as pernambucanos/as me chamem tanto a atenção. Jorge Caldeira falava qualquer dia sobre isso num programa na tv cultura. O que gosto no Jorge Caldeira é que ele fala de Mauá e Fernando Henrique com a mesma distância que o historiador precisa ter.
Merica e Manguito foram momentos de demonstração de força de minha memória quando o Tom Sharpe não conseguiu ser lido mais e os companheiros da mesa do lado eram contemporâneos de olhar o futebol carioca pelos olhos do João Saldanha ou do Sandro Moreira. Como essa cidade é boa…
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Posted by Paulo Lima on 25th April 2007
Eu peguei o fim da ditadura. Verdade. Eu fazia movimento estudantil, era guevarista. Fiz treinamento de guerrilha (meio nas coxas, mas atirava bem, espingarda, 22 e 38). Eu, quando era jovem e materialista dialético, via um monte de militar infiltrado no movimento estudantil. Era tudo do MR 8 (tinham o maior jeito de militar mesmo… hoje é tudo quercista). Tem quase um mês eu fiquei com essa mania de novo. Vejo pessoas que vi no começo do dia em ipanema no fim do dia na lapa. Eles/elas (alternam-se de acordo com suas jornadas de trabalho) ficam olhando, soturnamente, avaliando, com desenvoltura, minha desenvoltura. Daí olho como olhava nos tempos de alegre e jovem, perseguindo e surpreendendo meus espias. No fim virou um passatempo novo, ou melhor, renovado. Estranho é que os perseguidores/as começaram a aparecer nos sonhos, nas madrugadas e nelas, eu os enfrento, exatamente na hora que acordo…
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Posted by Paulo Lima on 15th April 2007
Muito o que falar:
* Sobre música: Duke Ellington & John Coltrane
* Sobre cinema: En la Cama
* Sobre literatura: Exhibición impúdica
* Sobre abril: Abril é no Rio de Janeiro, foi mal Count Basie. O sol do domingo afasta os aborrecimentos.
* Sobre blogs: O Ricardo devia deixar de ser egoísta e liberar o Sutura.
que seja uma boa semana!
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