C’est ça!

histórias

March 13th, 2008 by Paulo Lima

por do sol, amazônia

Eu, desde sempre, mesmo sem ter lido que:

Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.”(1)

acreditei nessa sentença. Minha avó contou dezenas delas. As coisas mudam de uma hora para outra. As mudanças, ou a decisão de mudar, é tomada rapidamente. Largar o passado recente é que é complicado. Antes eu ouvia as histórias e pensava num livro, uma obra prima do realismo fantástico. Agora, com 14.949 dias de experiência nesse mundo, mudei de idéia. Essas histórias, como muitas que invento pra mim mesmo, são o que está mais perto da verdade, seja lá o que ela for.

O Saliel, pra variar, resolveu brincar com coisas sérias. Afinal, quem não sabe a hora de perguntar a pergunta do próximos 15 mil dias…

(1) Manoel de Barros, Livro sobre o nada

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pessoas

February 21st, 2008 by Paulo Lima

Fernando Pessoa

“Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um outro lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se havia passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”

Fernando Pessoa (citado em Carnavais, Malandros e Heróis, Roberto DaMatta)

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A culpa é do Fidel!

January 7th, 2008 by Paulo Lima

Lendo agora o Jorge Cordeiro no Escriba, vi que ele se amarrou no Meu Nome Não é Johnny. Verei!

Falando de cinema, eu já estava numa “situação de cinema” em relação ao “A culpa é do Fidel“. A história do “situação de cinema” é meio recorrente no meu pensamento. Alegre e jovem e bolsista da Aliança Francesa descobri o “En sortand du cinéma” do Roland Barthes. Um texto curto falando da responsa que é sair de uma sala de cinema e cair dentro “criticando” o filme recém assistido. Naquela época eu traduzi o texto, que não é grande (mas é genial, de 1975). Agora não acho nem o original na internet, nem no google francês… Em rápida pesquisa se constata que o texto é citação frequentíssima e agora só tenho um fragmento dele na cabeça. Fragmento que não sai da cabeça sem cabelo quando saio do cinema. Ontem, quando saí do “A culpa é do Fidel” a sensação foi um pouco mais forte. Tava com a Patrícia que sabe muito mais de cinema que eu e minhas palavras estavam mais pensadas que normalmente. Depois o filme acabou jogando meio forte com as memórias de quem viveu — de rebarba — a porra louquice dos 70, criança. Eu parei de escrever sobre cinema, me levando a sério, tempos idos. Hoje digo, com gosto: que bom que a culpa é do Fidel! Vê lá e presta atenção na cena deliciosa das crianças dentro do carro com napalm, guerra nuclear, barbudos, Allende, Franco e, por fim, o Papai Noel.

A culpa é do Fidel!

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tente apagar esse teu novo engano

November 25th, 2007 by Paulo Lima

“As estranhas usanças, os costumes / Semi-selvagens desse povo inculto” (Bernardo Guimarães, Poesias Completas, p. 195).

 

As histórias começam.
Algumas demoram para acabar.
Outras demoram para começar.
Umas, demais, nunca acabam.
Outras, complicadas, nunca começam.
Quase nada termina mesmo. Tudo vira história.

E o que é a história? Recortes específicos da memória?
Conjunto de memórias de um mesmo sabor?

Ou a vida, história de curta duração como diria o Fernand
Braudel (1) é um pouco menos que poucos movimentos?

É, tal questão me atormenta — entre outras — desde sempre.

P.S.: Parei com os mini-contos geo-localizados. Dá muito
trabalho.

(1) - “uma agitação de superfície, as vagas que as marés levantam com seu poderoso movimento – uma história de oscilações breves, rápidas, nervosas” (BRAUDEL, 1978)

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raios

October 5th, 2007 by Paulo Lima

Lendo, como faço religiosamente, o Jornal da Cidade de Bauru, descobri que o raio que causou um apagão espetacular em março de 1999, não foi um raio. E só. A conclusão, sete anos depois, que o INPE divulga é que não foi um raio. Então o que foi?

Raio de Bauru não causou o apagão no País em 1999

Depois de mais de sete anos, um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu que o blecaute de março de 1999, considerado o maior do Brasil em número de atingidos, não foi provocado pela queda de um raio em Bauru. Ou seja, o apagão que na época foi creditado “ao raio de Bauru”, não foi causado por descarga elétrica. Porém, o estudo não aponta a causa do blecaute.

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cadê meu carnaval?

September 23rd, 2007 by Paulo Lima

As raízes vão se soltando. Hugo foi pra Ilha Grande. O Utz foi pra terra que não é dele, mas onde nasceu. Tudo se dissolve.

utz & hugo

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Cadê meu carnaval?

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José Bonifácio

September 12th, 2007 by Paulo Lima

Eu tenho um recalque.

Eu assumo. Sou bem resolvido. Eu queria ter tido um tutor. Eu invejava o Imperador. Ter um tutor era tudo que eu precisava. O cara não teria sido meu pai, não ia ter tanto problema com ele. Ele quereria que eu não reclamasse dele e eu, bom negociador, teria sido muito feliz. Provavelmente ele também.

Eu sempre soube disso mas só não imaginava que o José Bonifácio pode ter sido um tutor divertido. Para resolver meu recalque só um tutor boa praça. Eu fui padrasto, tutor não. Na verdade não faço idéia se tive influência ou não, boa ou má. Espero o tempo certo para perguntar. Avanço nisso de olhar o tempo. Veja só, para confirmar, fiquei com saudade do José Bonifácio. Mas me influenciou a boa Revista de História da Biblioteca Nacional. Bem que precisávamos de uma revista de divulgação histórica de boa qualidade.

E sobre o Renan, como diria o Junot: “Tudo como dantes no quartel de Abrantes…”

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