C’est ça!

A comunicação inacabada

September 2nd, 2009 by Paulo Lima


Esse texto do Prof. Aldo me deixou matutando… matutando..

A comunicação inacabada - Aldo de A. Barreto (www.avoantes.org.br)

Todo homem se desenha pelas escolhas que vai fazendo ao longo de sua vida. Nenhum objetivo importante é alcançado sem alguma luta, sem algum conflito, consigo mesmo e com os outros. A natureza humana é contraditória e tão forte é a contenda do ser que transcende para as condições de convivência do homem na terra.

Vivemos em uma articulação de conflitos e somos contraditórios, não conseguimos viver sem disputas. Tudo isso já era difícil quando em um existir face a face e presencial em uma realidade entre objetos e outros habitantes. Mas com a inserção da realidade virtual, em nossa convivência cotidiana, cada vez mais vivemos uma existência sem a necessidade de uma presença física, um entreolhar, um gesto, o toque e a sensibilidade da linguagem do corpo do outro.

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ele sabe

December 5th, 2007 by Paulo Lima

gafanhoto amazônico

“Eu sei de onde viemos e para onde vamos, porém, só eu sei e não vou contar para ninguém.”

Carlos Afonso, o Tapuia.

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borandá!

October 23rd, 2007 by Paulo Lima

foto Patricia Cornils!.

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sobre a direção do tempo

October 9th, 2007 by Paulo Lima

“tempus aevi imaginem” (0)

Estava preparado para um importante e definitivo debate com o Saliel. A discussão, ainda em aberto, seria sobre o tempo, no Caçador, segundo lar de Saliel. Kant, com um vento forte no quarto, caiu sobre minha cabeça. Tive sorte, era uma brochura que o citava. Kant, no ímpeto de me fornecer boa argumentação, indicou-me a necessidade de revisitar a Crítica da Razão Pura. Sei que muitos são os especialistas em Kant, entre amigos inclusive, mas me permito, de maneira não mais que marota, relembrá-lo e provocar a real e necessária discussão sobre a vida. Cada dia é um dia a menos?

Kant

“Claro que o tempo é algo real, a saber, a forma real da intuição interna”(1).

Mas o próprio Kant lembrou, num rodapé no Apêndice do indispensável “Prolegomena a qualquer futura Metafísica”, que há um tipo de conhecimento a priori associado com os sentidos. Ou seja, espaço e tempo são formas de intuição sensível. Importantes para a representação de coisas empíricas, como o teste. Dizia um especialista que:

“qualquer objeto da experiência precisa ser representado em espaço e tempo. A geometria é a ciência do espaço e a aritmética a ciência do tempo, e suas proposições são verdades necessárias relativas aos objetos no espaço e no tempo. Enfim, nós raciocinamos sobre as condições de representação, e a intuição intelectual torna-se dispensável. No entanto, fora do espaço e do tempo elas não são absolutamente necessárias. (2)

Mas, sobretudo concordo com Berdiaeff: “O tempo cósmico é calculado matematicamente sobre o movimento de rotação em torno do sol. Com ele se estabelecem os calendários e os relógios. Ele é simbolizado por um turbilhão. O tempo histórico está como que encaixado no tempo cósmico e se pode contá-lo matematicamente por dezenas de anos, por séculos, por milênios. Nenhum fato, porém, pode nele se repetir. Está simbolizado por uma linha dirigida para o futuro, para a novidade. O tempo existencial não se calcula matematicamente. Seu curso depende da intensidade com a qual se vive nele, depende de nossos sofrimentos e de nossas alegrias”(3)

Se o tempo é, pois, algo que não se calcula e sequer se pode, concretamente sentir, ele não caminha ordenadamente, cartesianamente ou sequencialmente. Razão pela qual termino minha colaboração à tão importante questão com o Padre Antônio Vieira:

“Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los”

E esse ano eu não vivi.

0 - Apuleio: o tempo é a imagem da eternidade.

1 -Immanuel Kant, Crítica da Razão Pura

2 - McTaggart, John Ellis: The Unreality of Time

3- Nicolas Berdiaev ou Berdjaev ou Berdiaeff (Nicolaï Aleksandrovitch)

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rio de asfalto e gente

September 28th, 2007 by Paulo Lima

É preciso ser original quando não se tem assunto. Ou quando os assuntos não são de interesse público ou são estritamente privados. Não suporto mais o João Ubaldo (um assunto). Virou um rancoroso contra o Lula e monotemático. Ele tinha 200 formas de dizer que não tinha assunto mas era pago para escrever o seu artigo em algum grande jornal. Eu me distraí. Não vou mais escrever nada que faça sentido. Afinal, ninguém me paga para fazer isso…

E aquele que “Porque se chamava moço, também se chamava estrada”, voltou. Horas intensamente divertidas com o seu Hugo, suas história e sua companhia. De tudo se faz canção e o coração na curva de um rio, rio, rio… e lá se vai mais um dia.

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Ortega y Gasset

August 29th, 2007 by Paulo Lima

“O homem é o homem e suas circunstâncias”. A mulher também. Mas isso foi dito pelo Ortega y Gasset, que, além de tudo, foi um dos últimos filósofos com nome bom para virar eterno na filosofia. A circunstância de Ortega y Gasset era também a de que ele tinha sobrenome de filósofo. Ele chegou a dizer isso em Sevilha, no bar do Manolo, nos anos trinta. Quase ninguém sabe das visitas de Ortega y Gasset à Sevilha. Neokantiano que era, Pepe, como era conhecido na época, vendia a Revista do Ocidente, de mão em mão, em Sevilha. Adorava ficar na Praça de Espanha, olhando as turistas, em especial, para depois escolher as alemães e esbanjar seu bom domínio da língua alí mesmo, na Praça, com seu traje de toureiro.

Em síntese eu concordo com ele. Eu sou isso que sou, ou que faço parecer que sou e as circunstâncias. Me recordei hoje, que, criança, eu era o que eu tinha por perto para me divertir. Fui rádios e fui um laboratório de químico. Meu brinquedo preferido era o Pequeno Químico. Para quem é muito alegre e jovem e não sabe o que é o Pequeno Químico eu digo que é o melhor presente do mundo para um menino ou menina brincar de fazer coisas erradas em casa. Era composto de uns frascos de elementos químicos suspeitos, uma pipeta, uns seis tubos de ensaio, um conta gotas, uma barrinha para colocar os tubos e um folheto com fórmulas de coisas que faziam borbulhas, cheiravam mal ou bem e que mudavam de cor. Eu bebia aqueles troços que eu misturava. Fazia perfumes e fazia minha pobre mãe usar como se fosse cheiroso (e anotava a fórmula para repetir quando ganhasse outro Pequeno Químico no outro natal.) Será que é por isso que ela nunca mais casou?

Eu ganhava sempre o Pequeno Químico. Hoje sou um grande químico na culinária. Como me divirto em marinar peixe, ver a carne do peixinho mudando de cor. O camarão muda de cor com o limão. hmm. E depois como tudo. Isso não era um assunto.

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