August 12th, 2008 by
Paulo Lima
Mas, continuando a história abaixo, um personagem abandonou o roteiro. O gato nunca mais apareceu. Um mistério…

Mas as formigas quase me tiram do sério. Meticuloso e muito lento nas artes culinárias, deixo a comida “descansando” ou “marinando” às vezes horas, enquanto a fome de quem convido aumenta. Só que a velha estratégia tem inimigos. As formigas invadem tudo, vacilou estão lá. Meus instintos mais primitivos estão atiçados. Aceito de bom grado qualquer mandinga para exterminá-las! Ainda vou testar a lâmpada no forro pra ver se os morcegos somem, conto os resultados depois. Ou seja, vou tomando Providência!
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April 26th, 2008 by
Paulo Lima
Eu tenho um vizinho que chama Yasser. Não nego o orgulho de dizer isso. Yasser tem cinco anos. O olhar do Yasser para qualquer curioso.
Quando me perguntam: “Onde você mora?”. Eu digo: “Sou vizinho do Yasser”. Yasser é um menino cheio de poderes e curiosidades. Ele chegou aqui na minha casa rosada junto com a mudança. Perguntou logo: “Esses homens são seus amigos?”. Fez uma vistoria e disse: “amanhã eu volto”. Yasser aparece aqui de vez em sempre que o portão está aberto. Faz sua vistoria, vê se eu brinco com alguma coisa interessante e vai embora dizendo que volta amanhã.
Tem uma aceroleira. Não tem mais barata, Tonhola jogou veneno. Não tem mais morcego no forro, Tonhola expulsou. Tonhola é amigo do vidente.
O Hallicrafters S53A anima a manhã com a Rádio Rural ou outra em ondas tropicais que anuncia o dia na sala. Som cristalino de rádio valvulado. Cheiro de válvula excitada.
Tem quase grama que plantei nesse sábado muito quente que anuncia muita chuva. Quase tudo é sempre muito.
Tem casa limpa que a Socorro deixou. Tem brisa boa, música também. Tem muito livro em caixas. Tem sabores ainda desconhecidos. Tem quase tudo para qualquer coisa, desde que seja boa. Tem a visita aos Zo´é que eu ainda não contei e que marcou minha vida.
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March 9th, 2008 by
Paulo Lima
Ou ter um cachorro e poder gritar: “ataque Compay! ataque!”
Sou um sujeito atolado em muitas dúvidas numa mesma decisão.
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July 19th, 2007 by
Paulo Lima

A última caixa, a que ficava na sala e guardava os segredos do que viu nos últimos meses, foi aberta. As últimas coisas que não funcionavam, funcionam. O telefone celular que havia morrido, ressucitou. Os rádios antigos começam a encontrar móveis novos. Os livros se espalharam pela casa. As plantas começam a se acostumar com os métodos e as quase tradições dos habitantes. A vida parece se acostumar com uma calmaria. Que comece a ventar a favor, acho que vou navegar melhor.
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July 10th, 2007 by
Paulo Lima
Aqui no Rio se fala do que se faz em São Paulo com o Nossa São Paulo, onde se fala sobre Bogotá. Cidades em crise, muita violência, ausência do Estado, comunidades sentindo a dura realidade da repressão ao narcotráfico indiferente ao que é a vida delas. Tema longo e sério. Já o motivo desse post é outro. É minha solidariedade! Eu voto Borba Gato!
E você? Não seja omisso, participe: http://www.voteborba.com.br/
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July 8th, 2007 by
Paulo Lima
Acima de tudo sou um estudioso. Estudo as coisas que me interessam a fundo, enquanto me interessam. Durante 4 anos acompanhei a vida da Mansão da Rua São Clemente com Guilhermina Guinle e Dona Mariana: O Palacette Linneu de Paula Machado. Magnífica residência senhorial, em estilo renascentista francês, construída em 1910 para a família de Linneu de Paula Machado pelo arquiteto Armando da Silva Telles, o mesmo projetista do Palácio Laranjeiras. Destaca-se pela implantação, ao centro de um amplo terreno gramado e fartamente arborizado, o qual ia originalmente até a Rua Voluntários da Pátria. É notável a elegante porte-cochère aterraçada, o telhado em mansarda e torreão central em ardósia. Uma ala de serviço, do lado direito da casa, foi acrescentada posteriormente, mas obedecendo ao estilo original e ainda em vida de seu primeiro proprietário. O Palacete Linneu de Paula Machado é tombado pela Municipalidade.
Tinha uma vista privilegiada sobre o Palacete de oito quartos, três grandes salões, biblioteca e salá de chá. Não posso, claro, descrever o que vi. Sou um pesquisador discreto e de pequenas perversões, não quero fazer dinheiro com minha capacidade de observar e, sobretudo, de escutar. Mas o melhor estava fora. Um jardim muito agradável, com horta, algumas estátuas sem grande valor e uma piscina medíocre, para as dimensões da residência. Era uma casa dos Paula Machado e Guinle. Quando o Hugo era pequeno eu, que morava alí na Francisco de Moura, embaixo do Morrão querido Dona Marta, ia de carrinho e passava várias manhãs de sábado lendo o jornal. Na época se lia o Jornal do Brasil e depois a Folha de São Paulo (para saber o que se passava no Brasil, no JB a gente sabia o que passava no mundo… tempo bom de um Rio de Janeiro cosmopolita). As vezes ia no Adriano, tomava uma batida de maracujá e almoçava. Não tinha baile funk. Hoje, eu sou vizinho do Paula Machado. Ele quer vender a mansão. Ontem teve baile funk ou coisa parecida até as 8 da manhã. Eu, insone, levantava, prestava atenção e o som tava lá, bombando.
Aquele telhado de ardósia sempre me chamou a atenção. A generosidade da família de abrir as portas para quem quisesse usar o jardim também. Morava lá o Seu Eduardo, pelo que me lembro. Morreu tem uns anos. Agora está a venda. Então, se você quiser ser meu vizinho e reabrir os jardins do Palacete é só colocar cinquenta milhões de reais. Eu dou fé! Se eu tivesse, não pensava duas vezes. Aquilo lá ia ser uma diversão!
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