superstição
Paulo Lima
Eu sou capaz de novidade. Lento, reinvento a vida num ciclo, cientificamente estatístico, embora não provável de replicação, a cada oito-nove anos. Ainda que científico, sou supersticioso:
Um dia cometi um crime, foi mais forte que eu. Provoquei um presente. O Saliel me emprestou esse CD e eu nunca devolvi. Também não disse que fui eu. Tampouco me arrependi. Sou um monstro, verdade. Grande amigo, empresta CD, esquece, pergunta, você não diz nada. Pior, vira adicto do CD, passam dez anos. Vira superstição. E é isso, sempre que acho que a minha criatividade anda fraca eu pego o The Köhl Concert. E como minha criatividade é fraca mesmo qualquer superstição ajuda…
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