A culpa é do Fidel!
Paulo Lima
Lendo agora o Jorge Cordeiro no Escriba, vi que ele se amarrou no Meu Nome Não é Johnny. Verei!
Falando de cinema, eu já estava numa “situação de cinema” em relação ao “A culpa é do Fidel“. A história do “situação de cinema” é meio recorrente no meu pensamento. Alegre e jovem e bolsista da Aliança Francesa descobri o “En sortand du cinéma” do Roland Barthes. Um texto curto falando da responsa que é sair de uma sala de cinema e cair dentro “criticando” o filme recém assistido. Naquela época eu traduzi o texto, que não é grande (mas é genial, de 1975). Agora não acho nem o original na internet, nem no google francês… Em rápida pesquisa se constata que o texto é citação frequentíssima e agora só tenho um fragmento dele na cabeça. Fragmento que não sai da cabeça sem cabelo quando saio do cinema. Ontem, quando saí do “A culpa é do Fidel” a sensação foi um pouco mais forte. Tava com a Patrícia que sabe muito mais de cinema que eu e minhas palavras estavam mais pensadas que normalmente. Depois o filme acabou jogando meio forte com as memórias de quem viveu — de rebarba — a porra louquice dos 70, criança. Eu parei de escrever sobre cinema, me levando a sério, tempos idos. Hoje digo, com gosto: que bom que a culpa é do Fidel! Vê lá e presta atenção na cena deliciosa das crianças dentro do carro com napalm, guerra nuclear, barbudos, Allende, Franco e, por fim, o Papai Noel.
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