literatura (4h30)
Paulo Lima
A insônia pode ser criativa. Em especial num feriado nunca tão longo para um preguiçoso. Pequeninos contos, sem conclusão. Como é bom escrever contos sem conclusão. Com memórias de cidades e com a curiosidade.
“O encontro foi silencioso. Museu Torres Garcia, Montevideo. Bastante frio e algum vento, ainda mais frio. O vinho, um Tannat já mais evoluído, cumpria seu papel. A simpatia desinteressada dos diplomatas instigava a provocação e algum cinismo. Todos precisavam passar o tempo. Evitar a angústia daquela noite fria, mais uma noite de solidão e insônia. Montevideo é uma cidade difícil para o estrangeiro que precisa viver algum tempo lá e fazer de conta que está contente. É linda mas tem alguma coisa que não se compreende — pelo menos na minha idade — uma vontade forte de ir embora e, longe, falar de como são boas as coisas de lá. A água, a qualidade do debate político, o cansado tema do maracanazo e o olhar triste e distante dos jovens.
Estava com as cartas e havia prometido deixá-las lá, num dos cômodos do Museu. Conhecia a agenda de atividades e sabia quem seria convidado para outro convescote no dia seguinte. Ventava. O Rio parecia ainda maior e o Tannat ainda melhor. Deixei as cartas. Dormi com raros sonhos com quem leria as cartas.”
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November 21st, 2007 at 11:37 am
ué e cadê Lisboa? e Budapest e Porto Alegre e Santarém? já não se fazem mais insônias como antes.. não, já sei, é a tv nova! eu sabia.. desliga essa tv, paulo lima! não dá pra desperdiçar uma escrita gostosa dessas e tanta história boa de contar.
beijo
j.
November 21st, 2007 at 11:42 am
p.s.: esse conjunto de anúncios google que aparecem aqui no teu blog hoje tá meio intrigante e um tanto divertido! : )