Coeurs
Alain Resnais tem a idade do meu tio mais velho. Nasceu em 1922. 22, vinte e dois.
22, vinte e dois é sinônimo de maluco, sujeito pancada aqui no Rio. 1922 é simbólico. Eu queria ter conhecido o Mário de Andrade. Queria trocar cartas com ele. Ele foi o melhor missivista que eu já li. Ele inventou o melhor fim que uma carta pode ter:
“Seu,
Mario.”
Daí que eu vi o Coeurs, do Alain Resnain. Aeroporto de Porto Alegre. Sempre bom para ver filme, especialmente no verão. Vazio e com um bom ar condicionado. Alain Resnais, de tantos filmes. Alain Resnais de Nuit et Bruillard que até hoje me assusta. Eu perdi o jeito de escrever sobre cinema. Mas o filme do coroa me deixou num desconforto que eu não esperava. Eu não quero chegar aos oitenta e achar que a vida é tão ruim e as pessoas são tão dissimuladamente pervertidas assim. Tudo bem que o futuro não aparenta me dar um planeta tão interessante mas daí achar que tá tudo uma merda eu não consigo.
Ou será que dessa vez fui eu que não entendi o filme?
Posted: Outubro 28th, 2007 in cinema.
Comments: 1
Comments
Comment from Heitor
Time: Novembro 1, 2007, 9:43 am
Tempos que não consigo entrar num bom cinema, assistir um bom filme e sair com essa sensação, de que posso não ter entendido o filme…
Ótimo post!




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