raios
Paulo Lima
Lendo, como faço religiosamente, o Jornal da Cidade de Bauru, descobri que o raio que causou um apagão espetacular em março de 1999, não foi um raio. E só. A conclusão, sete anos depois, que o INPE divulga é que não foi um raio. Então o que foi?
Raio de Bauru não causou o apagão no País em 1999
Depois de mais de sete anos, um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluiu que o blecaute de março de 1999, considerado o maior do Brasil em número de atingidos, não foi provocado pela queda de um raio em Bauru. Ou seja, o apagão que na época foi creditado “ao raio de Bauru”, não foi causado por descarga elétrica. Porém, o estudo não aponta a causa do blecaute.
O blecaute atingiu cerca de 31 milhões de pessoas em dez Estados. Começou às 22h16 do dia 11 de março e deixou pessoas no escuro por até 4h15. A explicação anterior para o apagão era de que uma descarga atmosférica havia atingido um equipamento da subestação da Companhia Energética de São Paulo em Bauru, provocando o desligamento de uma potência equivalente a 20 mil megawatts.
Diversas linhas ligadas à subestação foram sendo desligadas, provocando uma grande oscilação no sistema e culminando no blecaute, ou seja, num efeito cascata, que acabou atingindo vários Estados. Sem saber o que estava acontecendo, a população, tanto de Bauru quanto das demais cidades atingidas, começou a ficar preocupada quando a energia não era restabelecida com o passar dos minutos.
Em busca de informações, as pessoas ligavam para os serviços de emergência, como Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, além das companhias de energia e órgãos de imprensa, sem encontrar resposta para o blecaute. Os semáforos pararam de funcionar e houve congestionamentos recordes em São Paulo. Em algumas localidades, a energia só foi restabelecida nas primeiras horas do dia 12.
Agora, o resultado do estudo do Inpe desmente a versão divulgada pelas autoridades do setor elétrico na época do blecaute, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Para chegar a essa conclusão, o Inpe usou um programa que indica a probabilidade de um raio não-identificado pela rede nacional que detecta esses fenômenos ter ocorrido em local e horário determinados.
Após analisar os dados meteorológicos do dia do blecaute (11 de março de 1999), o programa mostrou ser zero a chance de um raio ter atingido a região. O ministro de Minas e Energia na época do blecaute, Rodolpho Tourinho, minimizou as conclusões do estudo. “O importante era detectar as causas e tomar providências. Isso foi feito”. Ele negou que o governo tenha mentido. Disse que a informação sobre o raio partiu do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONSE). O órgão e o ministério não comentaram o estudo.
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Populares já haviam questionado o ‘raio’
Apesar de estudos de autoridades do setor elétrico na época apontar em que o blecaute ocorreu por causa de um raio que atingiu Bauru, no dia do apagão várias pessoas ligaram para o JC afirmando que no momento da queda de energia não havia nenhuma incidência
aparente de raios.
O Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet) informou, na ocasião, que por volta de 21h10 do dia 11 havia uma célula chuvosa de intensidade moderada forte, vinda da região de Avaré, e uma outra, menos intensa, vindo de Marília, se aproximando de Bauru. Elas perderam força a cerca de 50 km de distância, mas alguns raios podem ter atingido a cidade.
Folhapress/Com Redação (Jornal de Bauru, 5/10/2007)


October 5th, 2007 at 11:55 am
É difícil esconder um raio, aquele clarão no meio da noite. Inventar um que não existe, porém…
–saff
October 5th, 2007 at 6:55 pm
sensacional !!
October 26th, 2007 at 7:26 pm
Escrevi um conto que tem como pano de fundo o apagão de 1999. Chama-se Apagãolipse Now:
http://yurivieira.com/content/view/45/1/
Abraço!