C’est ça!

o real e a fantasia

August 20th, 2007 by Paulo Lima

Eu, por dever de ofício, participo de várias reuniões e compromissos. Alguns deles, devo confidenciar, sem nenhum real impacto para vida das pessoas em geral ou mesmo dos participantes. São reuniões para efeito de relatório, segundo minha definição depois de anos de atividade e centenas de reuniões. Já cascudo me dirijo às reuniões com vários pensamentos sobre as possibilidades. Entre eles sempre esteve a possibilidade, que ocorre raramente, da inexistência do evento. Tal situação cria um buraco na sua agenda que é espetacular pela completa ausência de opções sobre atividades de assunção imediata. Desta maneira foram iniciados os bons episódios dos últimos dias. Um deles foi uma deliciosa roda de samba inexistente típica dos melhores momentos do realismo fantástico promovida pelo Saliel e Olga. Diz a lenda que acontecerá, em outro momento.

A outra foi a reunião do começo da semana. Vejam, atentai bem!: reunião sem pauta muito firme nem grandes acordos nem decisões, numa segunda, 9h da manhã. Eu e o Luizão lá, a postos, aguardando o cara que pediu a reunião… 10h30, nada. 11h um recado da secretária (o Dr. qualquer coisa estava aí embaixo, mas daí o Dr. Autoridade Y o convocou…). Deu 11h30. Luizão, sujeito criativo e que sempre sabe alguma coisa que pode estar acontecendo na cidade me convidou para uma sensacional retomada do PT do Buraco do Lume (que estaria sob domínio do PSOL). Uma sensação de batalha histórica para a recuperação daquele espaço público de tanta tradição, de contato com as massas trabalhadoras tomou minha mente de assalto. Arregacei as mangas e me preparei para o pior. Verdade que o Luizão tem um metro e 90 e uma voz proporcional ao seu porte, o risco é sempre menor na sua companhia. Mas a tradição permaneceu. Chegamos ao Buraco do Lume e encontramos o desafio que lá estava instalado. Cinco caras. Um vereador e seus assessores. Um ambiente de ressaca no ar. Verdade também que o Flamengo perdeu, as pessoas passavam indiferentes pelo Buraco do Lume. Claro que logo abandonamos a batalha inexistente e lançamo-nos ao prazeres do comércio local.

Fazer compras com o Luizão é muito divertido. Ele tira a camisa em quaquer loja e claro, não usa os lugares apropriados para tal atividade, além de experimentar quarenta camisas para comprar uma. Mobiliza toda a loja. Ainda me levou nas Casas Moreira onde adquiri um sensacional sapato novo. Ele conhecia um esquema nesta loja, especializada em sapatos feitos sob medida que são os sapatos que ficam lá numa ponta de estoque. As Casas Moreira atendem à elite carioca, em especial aqueles adeptos do hipismo. Uma bota de cavalgada sai uns mil e trezentos reais. Alguma coisa deve ter dado errado no sapato pois o seu preço seria muito maior, mas como pobre não tem número de sapato é só comprar um maiorzinho…

Mas o melhor veio depois. O Escondidinho! A melhor Costela do Rio de Janeiro (com feijão manteiga e farofa de ovo). No Beco dos Barbeiros.

Agora é esperar as próximas reuniões…

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