August 29th, 2007 by
Paulo Lima
“O homem é o homem e suas circunstâncias”. A mulher também. Mas isso foi dito pelo Ortega y Gasset, que, além de tudo, foi um dos últimos filósofos com nome bom para virar eterno na filosofia. A circunstância de Ortega y Gasset era também a de que ele tinha sobrenome de filósofo. Ele chegou a dizer isso em Sevilha, no bar do Manolo, nos anos trinta. Quase ninguém sabe das visitas de Ortega y Gasset à Sevilha. Neokantiano que era, Pepe, como era conhecido na época, vendia a Revista do Ocidente, de mão em mão, em Sevilha. Adorava ficar na Praça de Espanha, olhando as turistas, em especial, para depois escolher as alemães e esbanjar seu bom domínio da língua alí mesmo, na Praça, com seu traje de toureiro.
Em síntese eu concordo com ele. Eu sou isso que sou, ou que faço parecer que sou e as circunstâncias. Me recordei hoje, que, criança, eu era o que eu tinha por perto para me divertir. Fui rádios e fui um laboratório de químico. Meu brinquedo preferido era o Pequeno Químico. Para quem é muito alegre e jovem e não sabe o que é o Pequeno Químico eu digo que é o melhor presente do mundo para um menino ou menina brincar de fazer coisas erradas em casa. Era composto de uns frascos de elementos químicos suspeitos, uma pipeta, uns seis tubos de ensaio, um conta gotas, uma barrinha para colocar os tubos e um folheto com fórmulas de coisas que faziam borbulhas, cheiravam mal ou bem e que mudavam de cor. Eu bebia aqueles troços que eu misturava. Fazia perfumes e fazia minha pobre mãe usar como se fosse cheiroso (e anotava a fórmula para repetir quando ganhasse outro Pequeno Químico no outro natal.) Será que é por isso que ela nunca mais casou?
Eu ganhava sempre o Pequeno Químico. Hoje sou um grande químico na culinária. Como me divirto em marinar peixe, ver a carne do peixinho mudando de cor. O camarão muda de cor com o limão. hmm. E depois como tudo. Isso não era um assunto.
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August 26th, 2007 by
Paulo Lima
Sol de agosto. Prenúncio de bom setembro, da minha janela.
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August 25th, 2007 by
Paulo Lima

Eu ia escrever sobre o bate-estaca que inaugurou meu sábado. bate-estaca de verdade, que recuperou em mim meus desejos mais primitivos, parafraseando Roberto Jeferson.

Mas o bate-estaca desgraçado me fez ir à feira, razão da foto anterior. Eu queria mesmo era escrever sobre o artigo da Naomi Klein no The Nation, mas enquanto não dormir direito reservo-me ao mal humor particular, prática que sugiro à todos os mal humorados ocasionais. Enfim, lê lá o artigo da Naomi Klein que não precisa que eu diga qualquer coisa sobre ele.
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August 24th, 2007 by
Paulo Lima
A Tatiana acabou me levando para 1969, ao perguntar quais os meus cinco Caetanos. Daí, revisitando, deu gosto ouvir:
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Para lançar no espaço sideral.

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August 22nd, 2007 by
Paulo Lima
Meu espírito, em alguns momentos mais íntimos, assume um perfil aposentado (Retired Profile), conforme já assevera a psicanálise pelos estudos de Narriman & Sacks (2007), e passa a vibrar com a tarde em que o Supremo Tribunal Federal apresenta, ao vivo, uma competição olímpica de argumentos e armadilhas técnicas para inocentar cada um dos 40 acusados das falcatruas que envolvem o episódio conhecido como Mensalão. O jogo é duro, a falsa humildade, a bajulação dos Ministros, o jogo dos currículos e do prestígios dos ex-professores (e ex-Ministros) é um capítulo a parte. Os trejeitos são fato a destacar. A entonação, os gestos e as ficções narradas com a solicitação de vênia, sempre com apoio de alguma citação, são inesquecíveis. Veja uma situação: O Dr. Marcelo Leal de Lima cita o comunista José Saramago e o Ensaio sobre a Cegueira para defender (com uma irritante voz gasguita) o José Janene. Lembra do José Janene? Vê na Wikipédia. Lembra do Pedro Corrêia? Foi um dos poucos cassados. E o Saramago é citação que inicia a defesa desses dois picaretas…
A impressão deste primeiro dia é que entre o Direito e a Realidade existe um abismo, mundos diferentes… e eu ainda falava de real e fantasia… agora sim tenho um bom exemplo.
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August 20th, 2007 by
Paulo Lima
Eu, por dever de ofício, participo de várias reuniões e compromissos. Alguns deles, devo confidenciar, sem nenhum real impacto para vida das pessoas em geral ou mesmo dos participantes. São reuniões para efeito de relatório, segundo minha definição depois de anos de atividade e centenas de reuniões. Já cascudo me dirijo às reuniões com vários pensamentos sobre as possibilidades. Entre eles sempre esteve a possibilidade, que ocorre raramente, da inexistência do evento. Tal situação cria um buraco na sua agenda que é espetacular pela completa ausência de opções sobre atividades de assunção imediata. Desta maneira foram iniciados os bons episódios dos últimos dias. Um deles foi uma deliciosa roda de samba inexistente típica dos melhores momentos do realismo fantástico promovida pelo Saliel e Olga. Diz a lenda que acontecerá, em outro momento.
A outra foi a reunião do começo da semana. Vejam, atentai bem!: reunião sem pauta muito firme nem grandes acordos nem decisões, numa segunda, 9h da manhã. Eu e o Luizão lá, a postos, aguardando o cara que pediu a reunião… 10h30, nada. 11h um recado da secretária (o Dr. qualquer coisa estava aí embaixo, mas daí o Dr. Autoridade Y o convocou…). Deu 11h30. Luizão, sujeito criativo e que sempre sabe alguma coisa que pode estar acontecendo na cidade me convidou para uma sensacional retomada do PT do Buraco do Lume (que estaria sob domínio do PSOL). Uma sensação de batalha histórica para a recuperação daquele espaço público de tanta tradição, de contato com as massas trabalhadoras tomou minha mente de assalto. Arregacei as mangas e me preparei para o pior. Verdade que o Luizão tem um metro e 90 e uma voz proporcional ao seu porte, o risco é sempre menor na sua companhia. Mas a tradição permaneceu. Chegamos ao Buraco do Lume e encontramos o desafio que lá estava instalado. Cinco caras. Um vereador e seus assessores. Um ambiente de ressaca no ar. Verdade também que o Flamengo perdeu, as pessoas passavam indiferentes pelo Buraco do Lume. Claro que logo abandonamos a batalha inexistente e lançamo-nos ao prazeres do comércio local.
Fazer compras com o Luizão é muito divertido. Ele tira a camisa em quaquer loja e claro, não usa os lugares apropriados para tal atividade, além de experimentar quarenta camisas para comprar uma. Mobiliza toda a loja. Ainda me levou nas Casas Moreira onde adquiri um sensacional sapato novo. Ele conhecia um esquema nesta loja, especializada em sapatos feitos sob medida que são os sapatos que ficam lá numa ponta de estoque. As Casas Moreira atendem à elite carioca, em especial aqueles adeptos do hipismo. Uma bota de cavalgada sai uns mil e trezentos reais. Alguma coisa deve ter dado errado no sapato pois o seu preço seria muito maior, mas como pobre não tem número de sapato é só comprar um maiorzinho…
Mas o melhor veio depois. O Escondidinho! A melhor Costela do Rio de Janeiro (com feijão manteiga e farofa de ovo). No Beco dos Barbeiros.
Agora é esperar as próximas reuniões…
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