Thelonious
Paulo Lima
Sou especialista. Especialista em música. Não, deixa eu ser preciso. Sou especialista numa música. Round Midnight, Thelonious Monk. Tenho dezenas de versões. Inclusive dezenas de versões do Thelonious Monk. É preciso fazer uma obra para a vida. Ele a fez com todo o zelo necessário para entrar para a história do jazz e da música contemporânea. Veja, ganhou um especialista, amador, no Brasil. Deve estar feliz, onde quer que esteja. Mas veja — não a Veja, que hoje decidiu que não foi o Lula o culpado do acidente aéreo em São Paulo — faz frio. 18 graus na minha varanda, onde o termômetro não mente. É jazz e literatura. Redescubro Otto Lara Resende, o Braço Direito. Ok, sei que você não leu. Não era obrigatório na escola e eu que trabalhei em biblioteca só tô lendo agora e não sou mineiro. Mas daí vem o Thelonious para neutralizar o barulho do prédio que sobe na vizinhança. E vem o youtube que tem seu valor. E passei horas e já escolhi o melhor Round Midnight de lá. É de emocionar vê-lo, ao fim da música, de pé, com aquele chapeuzinho.
Saliel voltou de férias. Tudo volta a funcionar e os dias voltam a ser contados…
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