soldado da ciência
Paulo Lima
Nesses dias nublados do Rio eu tenho reencontrado ele. Estava em Santa Teresa, sábado. Me olhava estranhando que eu falava outro idioma. Acreditou que escondia alguma coisa dele, ou acreditava que já não conseguia trabalhar mais e que o tempo havia passado rápido demais. Me cumprimentou, sem resposta.
Tenho tido os sonhos recorrentes. São os mesmos desde os 19 anos. Eu estudei no Pedro II, sou um brasileiro de enorme e subido valor, o livro é meu escudo… e minhha avó era profissional na imputação da culpa cristã-judaica ocidental. O Colégio era de graça e me dava comida e até aula no sábado. Eu só fazia isso. Não podia repetir de ano. Eu, exagerado, me aborrecia com notas abaixo de 8.0. Daí que quando eu sonho, quando durmo (a cada 15 dias), eu sonho com a informação de que preciso fazer o segundo grau de novo. Não importa se já fiz o que tinha que fazer na universidade, graduação, mestrado, pesquisa… Era ele, o Bedel Chefe do Pedro II que vem me dar a notícia. A coisa de começar tudo de novo acaba me acordando. A impressão pós-sonho, em hora indefinida, é, será que não era bom começar tudo de novo?
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May 22nd, 2007 at 2:51 am
sonhar com bedel parece ter mesmo tudo a ver com culpa judaico-cristã..
obrigada pelo comentário no implicante. bem-vindo, Paulo.
ah. essa coisa de se seria bom começar tudo de novo só me parece boa enquanto metáfora para um recomeço. só de imaginar ter que voltar à adolescência me causa pensamentos do tipo “horror, horror”.
May 23rd, 2007 at 10:32 am
Ao lê-lo, no primeiro instante foi este post, chamou-me a atenção essa relação sonho recorrente e culpa. Causo-me surpresa, e identificação, seus sonhos, pois os tenho desde que me formei em arquitetura no finzinho dos 80’s. Também tenho sonhos recorrentes do mesmo calibre, mas, ao invés de ser com o segundo grau, é que precisaria fazer a graduação em arquitetura de novo, e para meu espanto essa ‘impressão pré-sonho’ que vc descreve é idêntica:”será que não era bom começar tudo de novo?”.
Por sorte ou competência ainda não caíram nenhuma casa de minha autoria, mas espero que não dependa disso para resolver “começar tudo de novo” quais quer que sejam as trilhas novas disponíveis.
Cheguei aqui via Meg sub-Rosa, a GRANDE. E voltarei. abraço
May 23rd, 2007 at 3:21 pm
CAramba, Paulo, eu também volta e meia sonho que estou ou na escola ou na faculdade, e nos momentos mais tensos, tenho que fazer uma prova, e não sei muito… sinal dos tempos? estranho…
May 23rd, 2007 at 9:59 pm
Salve Joice, o implicante é divertido, olho sempre, agora. Pelo que vi temos amigos comuns.
Guga, pois é, eu tenho esses sonhos. Eu queria ser arqueólogo. Jorge, tu lembra o nome daquele bedel do mal?
May 23rd, 2007 at 11:15 pm
pois é, já vi que temos ao menos um dia a menos em comum..
bacana, paulo. gosto daqui também, é musical-poético e tem um ar de leveza provocativa no teu jeito de escrever. tem link implicante pra cá.
May 25th, 2007 at 1:30 am
Oi, Plima, “culpa cristã-judaica”? hohoho
Bom, sonhos mesmo recorrentes, como todo mundo sabe,
são anulatórios, não é?
Agora, seu post me chamou atenção para uma coisa, para o problema (interesantíssimo) dos Doppelgangers, não seria?
Vai ver que é. É o seu perfil:-)
um beijo
May 25th, 2007 at 3:43 pm
Sou isso não Meg, meus transtonos são outros.