Deixe me ir…
Paulo Lima
Merica e Manguito.
Tenho novos compromissos nos sábados em que me obrigo ócio. Almoço com Tom Sharpe e meu óculos de coroa no Adriano (não tem na internet, restaurante português popular na Real Grandeza). Os compromissos são feitos para serem descumpridos. Eu tinha um bom de fazer a barba e ir à feira quando o Hugo era pequeno e nós morávamos no Grajaú. Hugo no carrinho cheio de frutas e legumes. Já tinha passado a fase oral dele.
O garçom, do Adriano, estudou na mesma escola pública que eu. Conta dos professores que passam lá para almoçar de vez em quando. Muito ruído, mais um teste para minha concentração. Não tenho déficit de atenção — definitivamente! — presto atenção no que quero. Língua! Purê de batata. Vinho português barato, quase Lisboa. Parece comida de Dona Rosita, minha avó, aristocrata decadente que dava sabor de nobreza até em dobradinha.
Vizinhança. Tom Sharpe não fala, é lido. O garçom está ocupado, Adriano lotado. Encosta do Bussaco. Muito diferente a colonização, mesmo que fragmentada, dos holandeses da dos portugueses. Talvez por isso os/as pernambucanos/as me chamem tanto a atenção. Jorge Caldeira falava qualquer dia sobre isso num programa na tv cultura. O que gosto no Jorge Caldeira é que ele fala de Mauá e Fernando Henrique com a mesma distância que o historiador precisa ter.
Merica e Manguito foram momentos de demonstração de força de minha memória quando o Tom Sharpe não conseguiu ser lido mais e os companheiros da mesa do lado eram contemporâneos de olhar o futebol carioca pelos olhos do João Saldanha ou do Sandro Moreira. Como essa cidade é boa…
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April 29th, 2007 at 6:39 pm
como quero essa tua cidade sendo minha também…