April 28th, 2007 by
Paulo Lima
Merica e Manguito.
Tenho novos compromissos nos sábados em que me obrigo ócio. Almoço com Tom Sharpe e meu óculos de coroa no Adriano (não tem na internet, restaurante português popular na Real Grandeza). Os compromissos são feitos para serem descumpridos. Eu tinha um bom de fazer a barba e ir à feira quando o Hugo era pequeno e nós morávamos no Grajaú. Hugo no carrinho cheio de frutas e legumes. Já tinha passado a fase oral dele.
O garçom, do Adriano, estudou na mesma escola pública que eu. Conta dos professores que passam lá para almoçar de vez em quando. Muito ruído, mais um teste para minha concentração. Não tenho déficit de atenção — definitivamente! — presto atenção no que quero. Língua! Purê de batata. Vinho português barato, quase Lisboa. Parece comida de Dona Rosita, minha avó, aristocrata decadente que dava sabor de nobreza até em dobradinha.
Vizinhança. Tom Sharpe não fala, é lido. O garçom está ocupado, Adriano lotado. Encosta do Bussaco. Muito diferente a colonização, mesmo que fragmentada, dos holandeses da dos portugueses. Talvez por isso os/as pernambucanos/as me chamem tanto a atenção. Jorge Caldeira falava qualquer dia sobre isso num programa na tv cultura. O que gosto no Jorge Caldeira é que ele fala de Mauá e Fernando Henrique com a mesma distância que o historiador precisa ter.
Merica e Manguito foram momentos de demonstração de força de minha memória quando o Tom Sharpe não conseguiu ser lido mais e os companheiros da mesa do lado eram contemporâneos de olhar o futebol carioca pelos olhos do João Saldanha ou do Sandro Moreira. Como essa cidade é boa…
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April 25th, 2007 by
Paulo Lima
Eu peguei o fim da ditadura. Verdade. Eu fazia movimento estudantil, era guevarista. Fiz treinamento de guerrilha (meio nas coxas, mas atirava bem, espingarda, 22 e 38). Eu, quando era jovem e materialista dialético, via um monte de militar infiltrado no movimento estudantil. Era tudo do MR 8 (tinham o maior jeito de militar mesmo… hoje é tudo quercista). Tem quase um mês eu fiquei com essa mania de novo. Vejo pessoas que vi no começo do dia em ipanema no fim do dia na lapa. Eles/elas (alternam-se de acordo com suas jornadas de trabalho) ficam olhando, soturnamente, avaliando, com desenvoltura, minha desenvoltura. Daí olho como olhava nos tempos de alegre e jovem, perseguindo e surpreendendo meus espias. No fim virou um passatempo novo, ou melhor, renovado. Estranho é que os perseguidores/as começaram a aparecer nos sonhos, nas madrugadas e nelas, eu os enfrento, exatamente na hora que acordo…
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April 23rd, 2007 by
Paulo Lima

sabe gente
é tanta coisa pra gente saber
o que cantar, como andar, onde ir
o que dizer, o que calar, a quem querer
[eu preciso aprender a só ser]
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April 19th, 2007 by
Paulo Lima
não tenho vontade de escrever nada de novo. morre um leão por dia, sei lá até quando. eu não queria isso pra mim. daí que vou ouvindo música. E essa é que é a boa:
Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E o no centro da própria engrenagem
inventa contra a mola que resiste
Que não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade descepado
Entre os dentes segura a primavera
primavera nos dentes [joão ricardo/joão apolinário] - secos & molhados
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April 18th, 2007 by
Paulo Lima
No meio da noite
No meio do medo
Aos olhos insones
Os fantasmas passeiam
No canto do galo
No uivo do cão
Nas vozes do vento
No galope, no relincho
No meio da solidão
O escuro esconde
Zumbis, lobisomens,
Os bichos do mato
O medo mulato
E a morte passa
Num calafrio que corre
Dos pés
A cabeça tapada
1974. Secos & Molhados.
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April 17th, 2007 by
Paulo Lima
Vou pedir Santa Clara para clarear
Vou pedir Santa Clara para me ajudar
Vou pedir Santa Clara para clarear
Vou pedir Santa Clara para me ajudar
(na voz de elza soares)
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