Tlön, Uqbar. Orbis Tertius
Paulo Lima
Já me distraio melhor, tenho meus livros. Ainda que o Montalbán ainda esteja na metade (hei de ter tempo de lê-lo) e que tenha tomado grandes decisões para todo o sempre, recordei-me de algo que sempre me guiou, quase que como um dogma. Compartilhei com Professor Otto momentos de intensa dedicação em nossos grupos de estudo sobre o tema. Ao chegar recebi uma nota do Prof. Otto. Escreveu-me assegurando que ele continua com a razão (terminou de fazer seu teste anual e já o pode afirmar):
“Uma das escolas de Tlön chega a negar o tempo: argumenta que o presente é indefinido, que o futuro não tem realidade senão como esperança presente, que o passado não tem realidade senão como lembrança presente. Outra escola declara que transcorreu já todo o tempo e que nossa vida é apenas a lembrança ou reflexo crepuscular, e sem dúvida falseado e mutilado, de um processo irrecuperável. Outra, que a história do universo — e nela nossas vidas e o pormenor mais tênue de nossas vidas — é a escritura que produz um deus subalterno para entender-se com um demônio. Outra, que o universo é comparável a essas criptografias nas quais não valem todos os símbolos e que só é verdade o que sucede cada trezentas noites. Outra, que enquanto dormimos aqui, estamos despertos em outro lado e que assim cada homem é dois homens.”(1)
Dizem que o Prof. Otto manterá um blog. Quem viver verá!
(1) Borges, Jorge Luis - Tlön, Uqbar. Orbis Tertius, in Ficções. [nota interessante, tenho uma edição de 1976, tradução do Carlos Nejar em que se lê a dedicatória de Pedrito para Zélia: “Zélia, ainda não “conheço” Borges, mas acredito que ele é bom. Assim sendo, foi o que escolhi para lhe dar no seu aniversário. Com o meu beijo, Pedrito.” Pedrito é de uma lógica impressionante, se ele acha que é bom, é bom para Zélia. Isso foi em 19 de janeiro de 1978.
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