March 30th, 2007 by
Paulo Lima
A memória dos amigos é sempre surpreendente. Ou a dos meus amigos. O Saliel tem algum dispositivo secreto. A Meg e o Fausto acabaram recuperando, cinco anos depois, uma sensação boa que o tempo passa mas a vida pode ser deliciosa. Daí reproduzo um post atualíssimo:
16 , December 2001
Tudo fica mais interessante se lido e narrado pela Meg. Acho até que vou ficar lendo o meu, não é que ficou parecendo mesmo interessante. Pois bem, An@amnesia!
Segundo o Caldas Aulete: “s. f. O mesmo que anmnese || (ret.) Figura pela qual fingimos recordar-nos de uma coisa que esquecêramos. || (Liturg.) Oração dita na missa após a elevação, e que comemora a lembrança do Redentor (nada mais carioca…). || (Didat.) Reminiscência, recordação. || (Med.) Restabelecimento da memória. (Med.) Histórico dos aspectos subjetivos da moléstia desde os sintomas iniciais até o primeiro exame clínico. || F. Grego Anamnesia”
Mas não é sobre nada disso. Anamnesia é aquela sensação pouco clara, quase óbvia e certeira: “eu já estive por aqui.” É a incontrolável impressão de que sabemos como alguns lugares são, o comportamento de algumas pessoas, o passado de alguns e um vínculo com alegrias e felicidades que também foram nossas.
Talvez seja isso.
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March 28th, 2007 by
Paulo Lima
Sobre essa coisa de estar vivo, muito vivo:
Eu sempre fui mal informado sobre muitas coisas, em especial sobre blogs. Me informo sobre coisas muito específicas. Já estive mais vivo, já estive mais morto. Nunca estive tecnicamente morto, como inventou o Paulo Francis e esse é o meu maior temor. Um amigo dizia, deve dizer ainda: “um dia tem, outro não tem”. E aí seguia numa longa estratagema de fazer com que seu vizinho não notasse que ele poderia estar num momento bom pois poderia dar azar. Eu não tenho disciplina, daí que um dia tem.. outro não tem…
O bom, de estar vivo, é que volto a poder ler a Meg e as citações dos livros e filósofos que eu pensei que só eu tinha lido, porque trabalhei em biblioteca e não tinha nada pra fazer. Prazer bom. Viva!
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March 27th, 2007 by
Paulo Lima
Esse:

ou esse?

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March 26th, 2007 by
Paulo Lima
“São 25 dólares mais a gorjeta, voluntária, sem limites de horários, hoje, amanhã, depois de amanhã. Tudo o que sei sobre o passado de Samarcanda e sobre o que o senhor ainda pode contemplar será seu. Viverá uma experiência parecida com um transplante ou um transbordamento. Transplante do meu saber, transbordamento do meu entusiasmo.”(1)
Acho que vou fazer turismo.
(1) Montalbán, Manuez Vázquez, Milênio
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March 26th, 2007 by
Paulo Lima
Me distraí lendo blogues. Nunca tinha feito isso, que eu me lembre. A descoberta de hoje foi Tristes Tópicos. Ganhei uma vela da Duda. Nunca mais pulei pulguinha.
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March 22nd, 2007 by
Paulo Lima

Já me distraio melhor, tenho meus livros. Ainda que o Montalbán ainda esteja na metade (hei de ter tempo de lê-lo) e que tenha tomado grandes decisões para todo o sempre, recordei-me de algo que sempre me guiou, quase que como um dogma. Compartilhei com Professor Otto momentos de intensa dedicação em nossos grupos de estudo sobre o tema. Ao chegar recebi uma nota do Prof. Otto. Escreveu-me assegurando que ele continua com a razão (terminou de fazer seu teste anual e já o pode afirmar):
“Uma das escolas de Tlön chega a negar o tempo: argumenta que o presente é indefinido, que o futuro não tem realidade senão como esperança presente, que o passado não tem realidade senão como lembrança presente. Outra escola declara que transcorreu já todo o tempo e que nossa vida é apenas a lembrança ou reflexo crepuscular, e sem dúvida falseado e mutilado, de um processo irrecuperável. Outra, que a história do universo — e nela nossas vidas e o pormenor mais tênue de nossas vidas — é a escritura que produz um deus subalterno para entender-se com um demônio. Outra, que o universo é comparável a essas criptografias nas quais não valem todos os símbolos e que só é verdade o que sucede cada trezentas noites. Outra, que enquanto dormimos aqui, estamos despertos em outro lado e que assim cada homem é dois homens.”(1)
Dizem que o Prof. Otto manterá um blog. Quem viver verá!
(1) Borges, Jorge Luis - Tlön, Uqbar. Orbis Tertius, in Ficções. [nota interessante, tenho uma edição de 1976, tradução do Carlos Nejar em que se lê a dedicatória de Pedrito para Zélia: “Zélia, ainda não “conheço” Borges, mas acredito que ele é bom. Assim sendo, foi o que escolhi para lhe dar no seu aniversário. Com o meu beijo, Pedrito.” Pedrito é de uma lógica impressionante, se ele acha que é bom, é bom para Zélia. Isso foi em 19 de janeiro de 1978.
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March 20th, 2007 by
Paulo Lima
Frio. Aqui, na reunião que ressucita dois anos depois os mesmos debates de 2005, se fala demais do Brasil, em especial do Rio. Para minha falta de sorte todo mundo quer saber do italiano que foi preso, o que passa com a violência no Rio, do francês assassinado, quantas vezes fui assaltado, quantas balas perdidas existem no meu corpo… Eu, que sempre vi na desobediência civil, um aliado, pensei em algumas hipóteses para mudar o rumo da prosa:
1) Denunciar o hotel dizendo que fui estuprado por 4 camareiras;
2) Que o ônibus atrasou;
3) Que caiu neve na minha carece e eu fiquei sequelado;
Boa foi a história da suíça que fuma cigarro de palha e saiu daqui atrás de um xamã no Mato Grosso, pelo menos mudou de assunto. Andou pelo país sozinha e se divertiu a valer. Acho que ainda usa o xamanismo, não sei porque. Agora preparem-se, o mundo será coberto por balões (X-Stations). A onda é usar high altitude platform stations. Não precisa de marco regulatório e isso pode virar uma febre. Já pensou quando os balõeozinhos começarem a cair? Pobre África, onde se faz teste da indústria farmacêutica e agora testes das empresas de telecomunicações.
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