Não, eu só vou se for pra ver
bandolo
Não escrevo crítica de cinema há muito tempo. Bem mais difícil do que se imagina. Nem vou escrever, estou sob o impacto do filme, ainda que tardio. Sempre neguei Vinícius, nos sábados. Sábado é, por causa dele, dia de tudo. Eu não gosto do sábado em público. Sábado, eu faço meu. É o meu dia de solidão, dia do meu livro, de meu escrito, do meu cochilo, das minhas esquisitises. Não sou óbvio. Daí, por causa do Vinícius parei pra ver ver o filme sobre ele. Soneto da separação. Eu vejo extra de dvd. Camila Morgado, melhor que ela não exista de verdade, insuportáveis aquelas lágrimas. No fim, entendi. Vinicius trabalhava no cerne do afeto, diz Gil. A mulher é a mesma. Ela, a indefinida, a que merece aquela sensação toda, a única, aquela…
Canto de Ossanha
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)
O homem que diz “dou” não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz “vou” não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz “sou” não é
Porque quem é mesmo é “não sou”
O homem que diz “tô” não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo senhor, saravá,
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer
Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer
Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
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