Seu Domingos jogou a toalha
bandolo
Em 23 de agosto, no blog velho, ainda do ano de 2006 (um ano realmente difícil), denunciava a escalada galopante contra a tudo e contra todos que significam algo importante no passado de algumas pessoas. Sou testemunha ocular da história neste caso. O Estrella Dourada estava lá, há 55 anos. Do mesmo jeito. O mesmo salame com pão velho de sempre, que acompanha a cerveja gelada mais cara do bairro. Aquele sorriso e aquele papo defensivo de um homem que adorava parecer grosseiro e rude mas que é gentil e bom. O reservado do Estrella Dourada, tinha a característica singular de recuperar a sobriedade daquele ou daquela que por lá se aventurasse.
Ontem fui lá no Estrella Dourada fazer minha inspeção de fim de ano. Havia outro homem detrás do balcão e da placa de mármore rachada, confidente de muitos e íntima de meus cotovelos. Descontrolado procurei por pessoas conhecidas, mas já se nota uma nova clientela. Até que ele aparece, o Seu Domingos, com a piada de sempre, se eu ia pagar uma cerveja para ele. Note-se que antes ele era o proprietário e a piada era boa. Agora ele vendeu o Estrella Dourada para outra geração de lusitanos, o Antonio. O Antonio é uma espécie de português imperialista dos velhos botequins de botafogo (até onde eu saiba). Ainda não me recuperei do choque. As obras já começaram, o estabelecimento terá novo reservado e cozinha. O mundo está mesmo mudando…

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