C’est ça!

variação sobre o mesmo tema: 2007

December 30th, 2006 by bandolo

Falo demais. Penso em quase tudo, acho que ninguém sabe porque não durmo. Desconfio. Digo que quero sempre mais do que vem nos milagres, mas desconfio quando ele aparece (é clarice ou cecília?). Ouço rádio, polícia. Vejo tv, leio internet (com i minúsculo), olho de binóculos. Isso, não acredito na surpresa. Não acredito mas sou ordinário. O melhor da vida, a minha, foi das surpresas, as que nunca acreditei. Começam os fogos no morrão. Olho o morrão que pisca, como se a árvore da Lagoa tivesse caído nos pés do Cristo, cortando o morro. A janela não tem grade, tem ar e vento, alguma sensação de liberdade.

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Amarcord para terminar o ano

December 29th, 2006 by bandolo

Emarpszamen! Erga a língua, coloque contra o palato e depois ponha para fora, entre os dentes. O grego é difícil… Retomo a antiga tradição de ver Amarcord, outrora durante o carnaval, agora para fechar o ano. Algo como queimar os móveis de 2006 e saudar a primavera. E a música de Nino Rota é inesquecível.

Amarcord

Amarcord é completa liberdade autoral de um gênio, já não se vê isso por aí.

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Seu Domingos jogou a toalha

December 29th, 2006 by bandolo

Em 23 de agosto, no blog velho, ainda do ano de 2006 (um ano realmente difícil), denunciava a escalada galopante contra a tudo e contra todos que significam algo importante no passado de algumas pessoas. Sou testemunha ocular da história neste caso. O Estrella Dourada estava lá, há 55 anos. Do mesmo jeito. O mesmo salame com pão velho de sempre, que acompanha a cerveja gelada mais cara do bairro. Aquele sorriso e aquele papo defensivo de um homem que adorava parecer grosseiro e rude mas que é gentil e bom. O reservado do Estrella Dourada, tinha a característica singular de recuperar a sobriedade daquele ou daquela que por lá se aventurasse.
Ontem fui lá no Estrella Dourada fazer minha inspeção de fim de ano. Havia outro homem detrás do balcão e da placa de mármore rachada, confidente de muitos e íntima de meus cotovelos. Descontrolado procurei por pessoas conhecidas, mas já se nota uma nova clientela. Até que ele aparece, o Seu Domingos, com a piada de sempre, se eu ia pagar uma cerveja para ele. Note-se que antes ele era o proprietário e a piada era boa. Agora ele vendeu o Estrella Dourada para outra geração de lusitanos, o Antonio. O Antonio é uma espécie de português imperialista dos velhos botequins de botafogo (até onde eu saiba). Ainda não me recuperei do choque. As obras já começaram, o estabelecimento terá novo reservado e cozinha.  O mundo está mesmo mudando…
Seu Domingos em atividade

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Receita de ano novo

December 27th, 2006 by bandolo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

2007, foto Paulo Lima, Piquiatuba, Rio Tapajós

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2007

December 25th, 2006 by bandolo

Das coisas que eu teria feito errado, a que eu fiz mais certo foi o Hugo. Minha juventude foi assim, toda errada. Ou melhor, sempre alguém dizia que estava errado. Estudei história… Escolha errada, não sou médico nem advogado. Fiz um filho, certo que era errado e era bom com 21 anos. Dei aula de matemática, fiz artesanato, vendi, comprei, trabalhei em banco, saí do banco quatro meses depois. Nunca nada pareceu ser alguma barreira, nunca entendi a ausência de dificuldades para as minhas escolhas “erradas”. Eu não aconselho mais. Eu agradeço a sorte que tive. Um anjo mais velho me ajuda, meu irmão, minha vó, minha tia. Sei lá do meu pai. Acho que ele se ocupa dele, mesmo morto. 2006 minha vida mudou mesmo. Começo a ver que a vida do meu filho começou e ele vai me inspirando, sendo o centro das atenções, eu descanso. Eu mimo, faço comida e deixo dormir até as 4 da tarde. Faço tudo errado, não reprimo. Mas o olhar dele, com as mesmas dúvidas que ainda tenho, é melhor do que era o meu, tem a confiança de que o importa é o futuro que ele significa. Ainda bem que ele não lê esse brog…

2007 na veia, precisamos disso logo.

hugo

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Criado

December 23rd, 2006 by bandolo

Noite dessas fui dormir, sem sono.  Concluí que preciso de um criado mudo.  Um criado muito mudo, preferencialmente cego. Pequeno também. Do tamanho de um abajour+livro+radinho.  Especialmente discreto.  Sábado. Passadeira me acorda.  Humor não dos melhores.  Saí pra achar o criado mudo, muito mudo, surdo.  Achei um ou outro feio e com cara de indiscreto, má companhia para local tão íntimo.  Andei esperando encontrar meu companheiro de quarto por algum tempo. Tenso.  Não é decisão simples.  Conhecerá muitos de meus segredos.  E, com as tecnologias de hoje é preciso olhar bem o que pode conter um antes inofensivo criado mudo.

Andei, mudo, ouvindo e olhando.  Lembrei de uma loja que poderia ofertar-me uma surpresa.  Encontrei um sebo, esqueci do criado. É a Casa da Cultura, na Real Grandeza, 190. Bonito, espaço inusual, bem organizado.  Achei outro Montalbán. O Estrangulador.  Eu e minhas pequenas obsessões.  Alimentei a ilusão…

Feliz Natal!

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sem voz

December 17th, 2006 by bandolo

falei até acordar - se dormi - sem voz. Meio nu, sem voz, tendo falado demais. Muito tempo falando de um passado já grande. Maior que a capacidade de minhas cordas vocais. Maior que minha vontade de falar. Agora um desejo forte de ficar em silêncio e pensar. Agora sem romance policial. Comecei História do mundo em 6 copos. Grande dica.

Boa semena, o ano vai acabar… Um ano a menos, o que o Bandolo irá anunciar este ano na sua tradição profética?

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